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Quinta-feira, 27 de Maio de 2010 Economia
Fonte : noticias.r7.com

Mercado de trabalho cresce, mas renda mantém queda
A melhora no mercado de trabalho e o aumento na oferta de vagas fez com que muitas pessoas voltassem a procurar emprego no mês passado. Mais de 131 mil postos foram criados no país desde março, o que mostra o melhor cenário para abril em seis anos. Apesar disso, a massa da renda desses trabalhadores encolheu 1,6% entre março de 2009 e deste ano.

Pesquisa da Fundação Seade/Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) divulgada nesta quarta-feira (26) mostra que o contingente de desempregados ficou em 2,92 milhões, com mil trabalhadores desocupados a menos do que no mês anterior.

Considerando só a região metropolitana de São Paulo, foram criadas 107 mil ocupações para os 147 mil novos empregados – 40 mil trabalhadores ficaram de fora. Alexandre Loloian, economista do Seade, afirma que só abril de 2004 foi melhor para a criação de vagas em SP e nas capitais pesquisadas.

- Há seis anos não tínhamos um crescimento tão forte do mercado de trabalho para o mês de abril. Naquele ano, que foi de retomada da economia brasileira, foram abertas 122 mil vagas.

Sérgio Mendonça, economista do Dieese, diz que o desemprego no Brasil já está abaixo dos dados de 2009, ano bastante afetado pela crise financeira, e que este ano os dados são muito positivos. No mês passado, 2,92 milhões estavam desempregados. Há um ano, eram 3,2 milhões.

- O crescimento está generalizado, com um fortalecimento dos empregos com carteira assinada. O desemprego está caindo, e o mercado de trabalho nos surpreende. Dependendo do nosso desenvolvimento, poderíamos chegar a dezembro com uma taxa de 9,9%.

Renda em queda

No caminho contrário, a pesquisa mostra que a renda dos trabalhadores continua caindo. Considerando somente a Grande SP, os rendimentos médios reais dos ocupados (os trabalhadores autônomos ou sem carteira assinada) encolheu 1,9%, enquanto os com carteira assinada caiu 1%.

Os salários dos ocupados caíram de R$ 1.310 para R$ 1.284, enquanto os dos assalariados foram de R$ 1.361 para R$ 1.347, em média.

Segundo Loloian, esse contraste entre renda e crescimento do nível de emprego é preocupante, porque pode levar a um achatamento dos salários.

- As empresas falam em gargalos, mas não estamos vendo isso. Ainda há mão de obra sobrando e os rendimentos caíram, chegando perto dos níveis de 2009, mas continuam piores que em 2008.

A pesquisa leva em conta dados de sete regiões metropolitanas (São Paulo, Belo Horizonte, Distrito Federal, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador e Distrito Federal). Considerando todas as regiões, a média dos salários diminuiu 1,6%.

No país, os ganhos reais dos trabalhadores subiram só em Salvador (3,7%, para R$ 1.066), no DF (1,9%, para R$ 1.857) e em Porto Alegre (0,6%, para R$ 1.290). Recife e Fortaleza registraram queda no rendimento e continuaram com os menores salários (R$ 834 e R$ 787, respectivamente). Belo Horizonte ficou estável (R$ 1.298).

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