“(…) há interesses que vão muito além de apenas servir conteúdo de audio e vídeo online: em busca de promover suas marcas e produtos, Apple, Sony, Microsoft e até mesmo o Google têm formatos exclusivos para consumo desse conteúdo.
Por exemplo, o vídeo que você compra e baixa pela iTunes, a loja da Apple, só pode ser visualizado no iPod ou no computador, enquanto que os vídeos disponíveis na Google Video Store só funcionam com o “player” próprio. E vou mais além: sabe aquele vídeo que você baixou no celular? Pois é, por questões de direitos autoriais você só vai conseguir vê–lo ali.(…)”
Quatro anos se passaram e a sede de algumas empresas em serem “donas” da internet parece não ter fim e fica mais exacerbada com a popularização do acesso via celular, iPod e iPad feito através de aplicativos, os chamados apps.
Mas olhando para trás, não é de hoje que corporações buscam o controle de como o conteúdo da web pode ser acessado: o melhor exemplo foi sem dúvida a America Online.
Pra quem não se lembra ou não viveu a época, a AOL já foi o maior provedor de acesso discado do mundo, antes da popularização da banda larga. Sua principal característica, porém, era um ambiente próprio que dava acesso ao conteúdo da rede.
Os norte-americanos, principalmente, aprenderam a navegar na internet via AOL e, acredite, era uma experiência completamente diferente do que temos hoje em um navegador, seja ele Explorer, Chrome, Firefox, Opera, etc. A AOL decidia para você qual era o conteúdo a ser exibido através de diversas parcerias, que só podia ser acessado pelos assinantes do serviço.
Mas a AOL não estava sozinha: ainda na pré-história da internet, em agosto de 1995, a Microsoft criou o MSN, acrônimo para The Microsoft Network. Bill Gates, assim como a AOL, acreditava que poderia ter controle sobre o conteúdo e a forma com que as pessoas navegavam e lançou também um provedor de acesso com ambiente próprio, fechado. Assim como na AOL, na MSN você não acessava diretamente a internet.
Flashforward e chegamos a 2007, ano do lançamento do iPhone e iPod Touch.
Esses dois produtos mudaram radicalmente a forma com que as pessoas acessam a internet via dispositivos móveis. Sim, já era possivel navegar pela web com seu celular, mas foram estes dois produtos da Apple, apoiadas pela loja iTunes – que até então vendia apenas música, que lançaram a febre dos aplicativos para internet.
Pouco tempo se passou para que Nokia, RIM (fabricante do Blackberry) e até mesmo a Microsoft lançassem suas lojas de aplicativos, para facilitar o acesso a conteúdo online através dos diversos modelos de celulares e smartphones.
Acionando novamente a máquina do tempo chegamos em abril de 2010 e ao aguardado lançamento do iPad.
Assim como no iPod e iPhone, a Apple tem total controle do que está disponivel em seu tablet, limitando assim a forma com que as pessoas acessam conteúdo. Sim, todos esses equipamentos contam com um navegador, mas é através dos apps que a maioria dos acessos é feito, até pela simplicidade que eles oferecem.
Minha pergunta é a mesma de 2006: a internet não deveria ser uma plataforma aberta e democrática? Os apps e tecnologias disponíveis nestes equipamentos não são uma forma de se controlar conteúdo, favorecendo determinados interesses, inclusive os dos donos do hardware?
E, claro, o mais importante, qual o impacto disso na publicidade? Alguém se habilita a responder?
(Se você quer ler um ótimo texto sobre os desafios que o iPad traz para a publicidade confira o artigo The iPad’s Threat to Advertising de Randall Rothenberg, CEO do IAB norte-americano.